quinta-feira, 31 de julho de 2014

rodou

quinta pra sexta.
quase 3 horas da manha.ou mais ou menos. belo horizonte. brasil. sem acento e sem corretor ortográfico.
penso em Cuba, penso em havana, penso em você.
eu não disse nada a ninguém, mas o dia em que deixei havana, eu chorei. chorei feito um bebê. chorei muito.
o tanto que eu chorei dava pra alagar o avião . e ele só não alagou por causa da válvula shut off.
ia ser mais uma tragédia aérea dessas que não foram desvendadas ate hoje e nunca serão.
E eu vou voltar, e se não tiver você do meu lado, havana vai ser a cidade mais melancólica ever.
mas vai ser bom.
vai ser triste e bom sofrer de amor em cuba. sozinha .
doce e amarga.
como aqueles chocolates... de Havana.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Talvez, se eu fosse menos louca

"Talvez
Se o mundo desfocasse
E só se visse a gente
E todas as pessoas que sobrassem fossem meros figurantes
Se a vida decidisse mudar de roteirista
E o gênero trocasse de repente num instante
Quem sabe
A gente
Podia
Ser
Protagonista


Talvez"


Clarisse Falcão

domingo, 8 de junho de 2014


Belém, segunda feira, 2 de junho de 2014
Sobre minha experiência de hoje.
Sai do hotel e estava em meio ao caos. Caos. 
Sujeira, lixo no chão, barulho, cheiro, de carne, de podre, de gente...
Pobreza... Ladrão roubando ladrão drogado... Chip da oi, compro ouro, rolex...
Vedo fruta, corto cabelo... Vem pra igreja... Gente dormindo no chão... Cuspe no chão. 
Desviando de um e de outro cheguei às Docas, Amém.

O Rio estava revolto... Rio enorme, sem fim. O dia, segunda-feira, nublada e úmida e quente. Nas margens finalmente o  Vazio. Só se ouvia o barulho das águas revoltas batendo nas paredes de concreto do porto. A barragem das docas pareciam resistir bravamente à toda força do rio , que se por vontade própria não margeava ali. Por isso, as ondas vinham, se chocavam com a barragem e voltavam ... hora por reflexo e hora por contrariedade e raiva dos limites. 
Água marrom, dia cinza .
Gostos diferentes, cheiros diferentes... Eu gosto disso, gosto muito do que me é diverso, do que ultrapassa meu universo. Era tacacá, tucupi, munguzá, vatapá, maniçoba, açaí, tapioca, cupuaçu... A culinária nortista me encanta. 
Depois, claro, um sorvete. Quanta diversidade.

Fiquei olhando aquela variedade de sabores como se fosse uma criança. Queria uma coisa dalí... Um sabor regional, não sabia por onde começava, até porque, não conhecia nem metade dos sabores disponíveis. Resolvi ir por cor: Vou de amarelo! O sorveteiro me sugeriu que desse uma olhada do outro lado do balcão,  pois tinha mais sabores regionais. Por um instante fiquei meio perdida...Pois bem, amarelo e regional... Unidunitê... Sorvete escolhido. Este daqui! Provei e gostei. Ele me serviu uma bola. Acho que era fruta, mas o nome eu já não lembro. Quando virava para ir embora ele me disse com um tom bem curioso:
-Por que amarelo é?
-Oi?
- Por que amarelo, é?
-Por que amarelo? 
-É!
E eu surpreendida pela pergunta consegui apenas balbuciar: - porque gosto da cor... - Ele certamente me achou estranha por escolher o sorvete pela cor e não pelo sabor. (É como se escolhesse um esmalte pelo nome ,ou um livro pelo número de páginas).
Ele sorriu e eu sorri de volta. Mas essa pergunta sem pé nem cabeça ficou se repetindo, repetindo  ecoando no meu pensamento.
 "Por que amarelo, é?" 
Por que?
Amarelo, é?
Amar elo, é?
Por que amar elo, é?
Por que amar? Lo é?
Por que amar ele, é?

 Pronto. Tomei aquele sorvete amarelo incrível sentada sozinha, apreciando a raiva do rio, o momento. Ali era um pedaço do céu em meio ao caos, em meio ao inferno. Eu, meu sorvete gostoso e amarelo, o dia quente, cinza e úmido, o rio e meus pensamentos. Foram instantes.

Retornei passando pelo caos e teria que me arrumar logo para trabalhar. 
Foi um momento único de epifania, e o melhor de tudo é que eu sabia disso. Hoje,  terça feira , Brasília , nublada e ainda consigo sentir o gosto, a sensação,  cheiro, e principalmente a pergunta :" por que amarelo/por quê amar ele?".
Não me cobro resposta alguma, mas por enquanto fico com o amarelo.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Que descanse em paz


Hoje morreu Tio Jove. Foi impossível não se emocionar no enterro. Muita reza, canto e lágrimas. E por conta disso eu estou assim abatida o dia todo. Tio Jove era um homem preto, dos mais pretos que já tive contato. Lembro-me das ultimas vezes que o vi, a sua cor preta me impressionava e  contrastava de forma perfeita com o sorriso branco sempre estampado no rosto. Lembro-me dele assim: sempre risonho. Tio Jove é uma alma boa e gostava da roça. Hoje eu quero só agradecer. Obrigada Tio Jove, por me lembrar que sou dos pretos! Que meu cabelo é crespo sim e que minha bunda é grande mesmo. Sou também da África, sou filha da escravidão.
Assim como Tio Jove, eu sou dos pretos e não nego. Amém.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Engodo

Cicatrizes amorosas, golpes baixos da vida, ressaca de cair em si. Falhas.
Um acarajé, uma Bud. Roberto Carlos na vitrola, um quarto de hotel, Salvador.
Dor de cabeça. É o de menos.
Devagar se recomeça, moça.
Mas Amanhã vai ser do meu jeito.
Pra ontem. Boa noite.

sábado, 10 de maio de 2014

2:37

Eu poderia morrer agora
De desastre de avião, despressurização , de tremedeira, de hipóxia.
Poderia morrer de fome, de mágua ou de angustia. Angustia corrói os ossos e derrete os órgãos.
De revólver morrido ou matado. Cara, nesse momento eu poderia morrer de câncer no pulmão. De infecção generalizada. Poderia morrer atropelada por trem, ônibus, carreta, até por bicicleta.
Poderia morrer eletrocutada.. De overdose.... Na banheira...
Poderia morrer vítima de violência doméstica... Poderia ser linchada até a morte.
Poderia morrer de estupro. De desgosto, de fome...
Poderia morrer no parto, no mergulho na corrida..
Mas não...
Escolhi morrer de amor.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

"Em fatos reais" ou "De você"


E eu aqui na madrugada sem saber porquê tanto te espero.
Sei que não vai me dar os poemas do André,  diversão do Gustavo, a melancolia romântica do Cícero e nem a amizade do Gabriel.  Não vai me dar o companheirismo do Henrique, a gentileza do Malik, a juventude do Erick. Não vai me dar a paixão do Luis, nem o tesão do Mauro. Não vai me dar a alegria da Daiane  e nem a doçura do Lucas. Não vai me dar a loucura do Fernando e nem o misticismo do Otávio. Não vai me dar a curiosidade da Sara, as músicas do Túlio nem a companhia do Rafael. Nem o papo bom do Tiago. Não vai me dar as extravagâncias do Bernardo, química do Guilherme e também não vai me dar a confiança do Felipe. 
De você eu NADA espero.
De você eu TUDO aceito.
Com toda certeza, TE QUERO.